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ITES E OSES

 

Hoje iniciei uma serie de  fisioterapia que estou fazendo por causa de uma artrose no ombro, o que aliás  é o que mais tenho, artrose. Dificilmente tenho algum problema com “ite”, artrite, bronquite, tendinite, só tenho “ose” artrose em tudo que é lugar que compensa os diferentes “ites ” que não tenho. Mas  por enquanto elas só estão sinalizando. Enquanto puder levar, fazer, andar, ver, vou vendo, andando, fazendo, levando e podendo. Tenho sede de aprendizado. Quero  entender um pouquinho que seja de cada coisa. Na época das vacas magras, tinha curiosidade de saber como fazia o pão. Aprendi. Tive a curiosidade de saber como era feito o queijo. Aprendi. Como se fazia um bolo confeitado, já que minha filha ia fazer 15 anos e não estavamos em condições de dar uma festa. Fiz, o bolo, docinhos caramelados enfeites da mesa ( cestinhos com flor feitas de canudinhos de jornal).   Aprendi a fazer sorvete igualzinho ou melhor que o da Kibon.

Portanto  na época de muita dificuldade aprendi muita coisa util, que me auxiliou na época e até hoje, porque que agora devo desistir por causa das “oses”? NÃO!!!

Barquinhos de papelNa porta da vila havia um vazamento que nunca deixou de existir. A água escorria por entre as fendas do concreto no chão e sempre encontrava caminhos tortuosos para o seu curso. Seguia descaindo pela ladeira abaixo, por entre pedras e paralelepípedos, levando galhos secos e pontas de cigarrilhas velhas para o obscuro mundo subterrâneo dos esgotos. A mim, só me cabia a hipnose de estatelar os olhos no curso d’água cristalino que saía da porta da casa de minha vó.

Não demorou muito para que aquilo virasse um brinquedo. De gêiser a rio com corredeiras, o vazamento eterno era um mundo fantástico onde aprendi a fazer barcos de papel. Nascia assim uma ciência: a barcologia. Era assim que eu chamava a arte de construir barcos. Foram árduos meses de pesquisa e experimentação. Logo descobri que as folhas de jornal não serviam para barcos. Absorviam rapidamente a água e se desmanchava a embarcação, resultando na morte dos tripulantes. Passei para a cartolina que pesada demais, não desatracava. Depois de alguns testes descobri que haviam dois materiais mais propícios ao sucesso da construção: folha de papel em branco e folha de caderno. Esta última era ainda melhor, pois era leve e, portanto, mais veloz.

Após a pesquisa do material sucedeu-se a da aerodinâmica. A tônica era alterar o projeto original de modo a fazer com que a embarcação pudesse ser estável, veloz e duradoura. Descobri que alargando a base, afinando a ponta e fazendo dobraduras das mais exatas possíveis conseguia atingir os objetivos. O barco não poderia ser muito grande, a despeito de ser maleável demais e assim, tombar no rio turbulento e perigoso, colocando em risco todos os embarcados.

Passava horas construindo barcos dos mais diversos para vê-los indo rio abaixo, as velas içadas, a tripulação feliz e preocupada, aos gritos de “estibordo” e “bombordo”. Ficava as vezes sozinho, descalço, sob os olhos atentos de minha vó, que foi quem me ensinou os primeiros passos na construção de barcos. Era ainda um fazer rudimentar, o que me ajudou a desenvolver a barcologia como ciência além da arte. Era impossível dissociar uma da outra. E soltava os barcos no rio, e escutava os gritos da tripulação, e enfrentava pedras e perdas, e meus olhos vidrados acompanhados de um sorriso límpido que era sempre respondido por um outro sorriso discreto de minha vó.

Depois que ela morreu nunca mais fiz barcos de papel. Não pense o leitor que há nisto algo de traumático. É porque não há mais graça nos barcos. Não havia mais o rio para navegá-los; aquele rio perigoso, cheio de crocodilos e piranhas assassinas, violento e puro como água mineral. Sem o rio não há razão para os barcos. A ciência se perdeu no tempo. Hoje nem lembro mais como se faz um barquinho de papel. A barcologia foi contaminada pelo origami decorativo e depois pela navegação eletrônica, e assim, ela caiu em desuso. Os compêndios e manuais orais de construção de barcos de papel se perderam no desinteresse geral e os segredos da arte-ciência da barcologia hoje pertencem aos poucos velhos construtores da mesma época que eu e que já estão para a morte. Os rios não são mais navegáveis, contaminados pela poluição das mentes esgotadas. Extinta, ela só sobrevive em lembranças como esta que o leitor acabou de ler.

por Daniel Carvalho

Extraído do blog “Maria perdeu as asas”

“A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina.Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás para frente.

Nós deveríamos morrer primeiro e nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo.

Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o suficiente para poder aproveitar sua aposentadoria.

Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Então você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhum responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero de sua mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando e… termina tudo com um ótimo orgasmo!

Não seria perfeito?.”

Texto de Charlie Chaplin, que morreu aos 88 anos

A fé

Fé, palavra curta mas de um significado imenso. A fé pode ser de várias formas e tamanhos. Pode ser pra sempre , pode ser momentanea. A fé é técnicamente imensurável. Como exemplo a fé de um mendigo de que um  ele sairá das ruas e terá no final de um dia um caminho a seguir para o seu porto seguro…. A fé de outro mendigo pode ser  de que simplesmente amanhã conseguirá que alguem pague aquela bebida, ou um prato de comida … ou uma droga!

A fé ela pode ser vista nos olhos, que podem estar tristes suplicantes  para que suas preces sejam atendidas. Como pode também ser vista nos olhos firmes e confiantes de que suas suplicas serão atendidas e se não forem agora… É porque não foi a hora certa.

Fé é entender que a hora pode não ser agora…nem amanhã. A hora de Deus é diferente da nossa hora.

Tem pessoa que depois de orar muito e não ser atendida no seu momento,  se revolta contra Deus achando que Ele não gosta dela ou que foi esquecida por Ele.

O seu pedido a Deus “deveria ” ser atendido naquele momento…

Ledo engano dessa pessoa achando que Deus não a ama. Talvez por ama-la tanto não deixou que o que tanto desejava não se cumprisse naquele momento. Talvez por ama-la tanto e por ve-la tão ganaciosa não lhe “presenteou” com o desejo alcançado. Com certeza  se isso tivesse ocorrido  iria se vangloriar de seus méritos de guerreira ou de sortuda. E Deus seria esquecido. E por onde anda a fé dessa pessoa?

Por isso Ele escolhe a hora certa que  seremos beneficiados. Ele tudo vê, tudo sabe, tudo sente.  Ele sabe quando deveremos ser felizes e quanto tempo mais teremos que  ”aprender” mais para conquistarmos a felicidade.

Por isso a Fé deve ser uma rotina, diária. Absoluta e paciente. Confiante e sem cobranças.

Deus nos ama e sabe das nossas necessidades. Nós temos necessidades, mas Ele sabe a hora que devemos ser saciados e sermos felizes.

Acassia Maria

só porum dia

“Por um dia somente, poderemos fazer o que quisermos. Portanto, hoje vamos perder o medo da vida e o medo da morte, enfim, o medo de sermos felizes, a fim de gozarmos a alegria de cada minuto de harmonia, beleza, paz e saúde que nos seja concedido.

Apenas por hoje, vamos viver um só dia, esquecendo o ontem e o amanhã, não procurando resolver imediatamente todos os problemas da vida. Lincoln disse que o homem é exatamente tão feliz quanto queira sê-lo. Vamos resolver ser felizes, só por hoje, ajustando-nos à nossa família, nossa realidade, nossa profissão, nosso destino. Reformar o mundo para ajustá-lo ao nosso gosto é impossível e essa aspiração não é saudável. Se não podemos ter aquilo que gostamos, talvez possamos gostar daquilo que temos.

Portanto, só por hoje, vamos ser amáveis, compreensivos, alegres, carinhosos; vamos ser o melhor que pudermos, vestir o melhor possível, caminhar tranqüilamente, elogiar as pessoas pelo que fazem ao invés de criticá-las pelo que não podem fazer. E se encontrarmos alguma falha, vamos perdoar e esquecer.”

Autor desconhecido

A Faxina

 

faxina geral

Fico cada dia que passa mais decepcionada com quase tudo que me cerca. A dona Justiça por exemplo, está com uma catarata que a impede de naturalmente enxergar e ainda colocam aquela venda na pobre coitada que não vê as basbaridades que andam fazendo em nome dela.

O que afinal é justo? Parece absurdo, não é? Mas pense só,  é justo mendigar?

É justo implorar por um prato de comida num pais em que se plantando tudo dá?

É justo morrer numa maca sem lençol no corredor de um hospital?

É justo morrer neste hospital nestas circunstancias com médicos e enfermeiros passando com um copinho de café na mão num papo gostoso ignorando a situação? é justo ter criança na rua ? sozinha? descalça? cheirando cola? e crak?

É justo privilégio ser direito para uma minoria? e a falta de respeito pelos direitos  ser privilégio de muitos? É justo cercear educação para muitos? é justo formar a personalidade cultural de uma criança num ambiente sem segurança, sem higiene? Qual será a bagagem desta criança quando adulta? Será que ela fará pelos seus semelhantes algo diferente do que recebeu?

É justo?

Quando fazemos faxina em casa tiramos tudo do lugar e colocamos tudo em seu lugar.  Jogamos algumas coisas fora. Limpamos a sujeira. Assim deveria acontecer. Limpeza na política, limpeza na justiça limpeza nas almas.

Só com uma boa faxina poderemos  realmente ter PAZ.

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